Hoje, 25 de março de 2025, eu e minha turma do 3º EMTec - Serviços Públicos da ETEC CEPAM - fizemos uma roda de conversa sobre o livro ilustrado acima - Opúsculo Humanitário. A obra foi lançada em 1853 e se trata de um compêndio de 62 artigos que explora a questão da educação formal das mulheres brasileiras no século XIX, trazendo estudos, estatísticas e argumentos bem plausíveis sobre o tema.
Em nossas discussões percebemos que Nísia Floresta era uma mulher muito inteligente e antenada com os assuntos sociais e políticos de sua época. Mesmo assim, ler a obra dela requer mente aberta e o tratamento da autora como uma mulher de seu tempo.
Nos artigos que ela escreveu há críticas a respeito da visão limitada concernente à educação feminina demonstrada por intelectuais, reis, ativistas, cientistas e sociedade desde a Grécia Antiga. Apesar de ser muito religiosa, ela não poupou nem mesmo o clero em suas críticas aguçadas.
Quando falava sobre a população afrodescendente e indígenas, aos olhos dos alunos ela pareceu um pouco preconceituosa, principalmente, quando ela menciona a amamentação dos filhos das sinhás feita pelas escravas e da socialização dos filhos da senhoras aristocráticas e dos filhos de seus escravos. No entanto, é nítido que ela abominava o tratamento que os escravos recebiam por parte de seus algozes, e, também, comungava da ideia de que o Brasil havia sido invadido e não descoberto. Sobre esse assunto, concordamos que ela tinha uma visão rasa, como os homens de sua época sobre a questão da escravidão, mesmo sendo empática com o sofrimento alheio. Isso, de forma alguma, desmerece sua obra.
Quanto à linguagem e às temáticas de alguns do seus escritos percebe-se que ela carrega características do Romantismo. Inclusive, há um poema no capítulo LVIII em que o "eu lírico" é um caeté (tribo de homens fortes e bravos advindos do Nordeste do Brasil) que em alguma medida dialoga com o poema - Conto do Piaga - de Gonçalves Dias. Tendo isso em vista, verificamos que, como poeta, Nísia Floresta era romântica e nacionalista.
É importante citar, a respeito de seu papel na educação, que ela chegou a ler os relatórios sobre a temática que Gonçalves Dias escrevera a pedido do então imperador D. Pedro II. Discorreu sobre a prática da palmatória na escola, que na visão dela era algo abominável. E isso a mostra como uma educadora comprometida com ofício de ensinar e com os rumos da educação brasileira. Em alguns pontos, é triste dizer que parece que ela descreve o panorama educacional do Brasil do século XXI.
Em suma, a grande tese do trabalho de Nísia trata da educação feminina (da mulher branca) no Brasil, suas deficiências e sua importância.
Como professora de Literatura e Língua Portuguesa, eu disse a minha turma que a leitura apesar de um pouco densa, pode dar a eles repertório para escrita de redações a depender do tema abordado. E, também, ressaltei a importância de ler obras escritas por mulheres que foram apagadas do cenário literário e que não deixam a desejar se comparadas com os escritores e poetas de suas épocas.
É isso.
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